Envolta por sua própria alma ela caminha até a janela, observa a Lua e as estrelas. O céu está encoberto, más é possível visualizar o brilho mesmo que ofuscadas pelas nuvens negras no céu.
A tensão rodeia a esperança, e o sentimento de gratidão lhe é evidente diante da grandeza de estar e fazer parte do Universo que transpõe toda sua energia fazendo com que ela reaja e perceba a imensidão de chances e oportunidades de encontrar-se.
O olhar perdido nas estrelas fixamente a um ponto específico em que a faz ter pensamentos lineares e confiantes, acreditando em um breve amanhecer com raios de Sol, iluminando sua alma, transformando, renovando toda energia ao seu redor.
Ela está na janela envolta de sua própria alma.
Em um casulo,
casualmente me escondi, perdi o caminho que me conduzia
ao centro do ponto de equilíbrio,
Da minha essência.
Tudo que transparece refletindo multicores intrinsecamente
tornou-se cinza.
A alma procura seu próprio caminho,
Um caminho do bem e do mal.
Do sim e do não.
Razão e emoção.
O tempo transforma, mostra, ensina.
Viver intensamente, valorizando e
respeitando a cada minuto de
inspirar e respirar de
sentir e estar.
Em pílulas as cores voltam a surgir e a iluminar.
E até a cor cinza volta a ter seu tom, seu brilho.
Diante
da magia do Universo que envolve uma vida.
Até os sabores tornam-se mais presentes.
Os sentidos voltam a ser aguçados pelo mistério
de simplesmente Ser e Estar!
Escrevo. E pronto.
Escrevo porque preciso,
preciso porque estou tonto.
Ninguém tem nada com isso.
Escrevo porque amanhece,
E as estrelas lá no céu
Lembram letras no papel,
Quando o poema me anoitece.
A aranha tece teias.
O peixe beija e morde o que vê.
Eu escrevo apenas.
Tem que ter por quê?
Paulo Leminski